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O novo livro de Paul Auster situa-se entre os dilemas interiores e as movimentações da história das últimas quatro décadas
As criações literárias de Paul Auster estão imersas daquela maneira laboriosa que alguns dos melhores romancistas usam para contar histórias, mesmo as mais banais. Conseguem um raro equilíbrio entre a força do enredo e as soluções narrativas que o servem. Tal como a personagem de Obélix, encarnação da energia em estado puro, a escrita de Auster caiu no caldeirão do mago. Provavelmente até já nasceu lá, nesse território longínquo essencial onde o escritor se move com um felino andar de prestidigitador e onde muito do que parece não é.
Invisível, o novo romance, comprova-o uma vez mais. A história, que atravessa quatro décadas até ao presente, desdobra-se por vários narradores e é contada através de cartas, de diários, de telefonemas, de flashbacks ou simplesmente pelo relato directo. Desta colagem resulta o entendimento possível do todo, numa engenhosa replicação daquilo que geralmente acontece na realidade, sempre assustadoramente mais vasta do que é possível abraçar.
Invisível começa em 1967,
O livro está dividido
Adam Walker é a típica personagem austeriana. Sob a aparência de jovem bem integrado e, neste caso concreto, magnificamente apetrechado para a vida em sociedade, está rodeado de um corpo consistente de dúvidas e dor.
No entanto, Invisível não se detém apenas na interioridade dos seus actores. É uma obra que deixa sopros de algumas das movimentações da história das últimas quatro décadas e nesse sentido Walker e companhia são filhos legítimos dos tempos que lhes coube viver. Iniciada em
Crítica da autoria de Alexandra Macedo a Invisível, de Paul Auster, publicada no sábado, no i.
O norte-americano Paul Auster tem um novo romance. Uma história cheia de alçapões por onde se escoa a narrativa num crescendo de estranheza.
O traço distintivo de Invisível (ASA) é a forma como o autor conta a história. Auster agarra na narrativa e passa-a com delicadeza entre diversas vozes, cada uma transportando-a como um testemunho precioso, assim criando um efeito de prisma e variando engenhosamente a perspectiva de abordagem. Neste mecanismo de desdobramento, carregado de tonalidades e subtilezas, doseia as expectativas do leitor, num crescendo de suspense, mantendo-o cativo do avançar da história.
Invisível começa a ser narrado por Adam Walker, um universitário de um curso de Literatura de 20 anos. A acção situa-se na Primavera de 1967,
Rapidamente aprofundam o relacionamento, até que um acontecimento dramático irá transformar a vida de Walker para sempre. Fim da primeira parte. Na segunda parte, surge
No final obtém-se a história possível. Uma história que aborda a solidão oncológica do ser humano (tema muito Paul Auster), uma barreira intransponível que separa a consciência da realidade apreendida e que é baseada nas percepções necessariamente subjectivas em relação ao mundo circundante. As personagens de Auster estão frequentemente desorientadas e à beira da dissolução, não conseguindo definir os limites de si mesmas. Há nelas uma possibilidade de loucura, que o jogo de espelhos criado tende a acentuar.
Invisível é um belo livro, sensível e cheio de reviravoltas, com muitas referências à divisão racial, aos preconceitos, à incompreensão e às barreiras mentais que existem na cabeça de muitos e que o tempo ainda não conseguiu derrubar.
Crítica de Paula Maceda a Invisível, de Paul Auster, publicada hoje, na Focus.
Excerto da entrevista da Big Think com Paul Auster. Pode ver a entrevista completa em baixo, ou ler a transcrição da mesma aqui.
Pode ler a crítica do The Miami Herald, publicada hoje, a Invisível, de Paul Auster, aqui.
Pode ler a entrevista de Paul Auster no The Rumpus aqui.
Mal se acaba de ler Invisível, de Paul Auster, tem-se vontade de o ler outra vez. (…) Fica-se com vontade de reler Invisível porque avança rapidamente, com facilidade, de forma algo sinuosa, e fica-se com medo de se ter passado por cima de partes boas, de se ter deixado passar alguma observação. A prosa é escrita contemporânea americana no seu melhor: fresca, elegante, cintilante. Tem aquela ilusão de ser fácil apenas possível com uma feroz disciplina. Como acontece frequentemente quando se está perante um mestre, lê-se a frase seguinte quase antes de se ter acabado a frase anterior. O romance pode ser lido superficialmente, uma vez que é uma leitura que dá bastante prazer.
Pode ler a crítica do The New York Times, publicada no domingo, a Invisível, de Paul Auster, aqui.
Com o satânico Born a monte, uma desesperante necessidade de saber – esse primitivo mas vital motor ficcional – leva o leitor em debandada até uma conclusão mais satisfatória em termos de ideias do que na sua resolução emocional. Por esta altura, as vozes dos dois possíveis Paul Auster já se tinham fundido numa, com o relato a regressar à primeira pessoa através da segunda e da terceira, o momentum da ameaça cada vez mais poderosa. Algumas das nossas suposições caem ruidosamente à nossa volta de uma forma estranhamente satisfatória, e, ao expor a mecânica da sua narração, Auster alcança paradoxalmente uma enorme sensação de autenticidade.
Pode ler a crítica do The Guardian, publicada no sábado, a Invisível, de Paul Auster, aqui.
Paul Auster nunca joga pelo seguro. Em Invisível, a manipulação da informação é levada a cabo de forma magistral, com o enredo a desdobrar-se sobre si próprio como um origami intelectual. E as cenas de incesto consentido são tão poderosas, tão magníficas, que quase perdemos de vista o tabu.
Neste décimo quinto romance, não só temos a ginástica mental de acrobacias literárias e as dissertações beckettianas da angústia humana do costume, mas também um relato vigoroso de intriga e perda, revelando uma visão apaixonante das confusões da vida.
Pode ler a crítica do The Sunday Telegraph, publicada no domingo, a Invisível, de Paul Auster, aqui.
O décimo quinto romance de Paul Auster pode deixar aqueles que não leram os seus catorze romances anteriores a sentirem-se estranhamente pouco qualificados, já que Invisível requer idealmente um certo tipo de leitores: alguém literário e intelectual; alguém fascinado por puzzles e fitas de Möbius; alguém com um interesse por tudo o que seja lacaniano, com um soupçon de francofilia e receptivo ao Alto Pós-Modernismo. Mesmo para quem não cumpra estes requisitos, o romance oferece delicadas recompensas, mas para apreciá-las é preciso uma paciente disponibilidade para habitar no que uma personagem designa por “Terra dos Ses”, um mundo traiçoeiro de contingência, de intermináveis perguntas por responder, de desaparecidos e, claro, invisíveis autores de palavras e acções.
Pode ler a crítica do The Times Literary Supplement, publicada no dia 6 de Novembro, a Invisível, de Paul Auster, aqui.
Este livro está repleto de desespero auteriano, mas é um desespero em que se consegue acreditar. O terror em Invisível é real.
Pode ler a crítica do San Francisco Chronicle, publicada no dia 8 de Novembro, a Invisível, de Paul Auster, aqui.
Pode ler a crítica do The Daily Telegraph, publicada no dia 7 de Novembro, a Invisível, de Paul Auster, aqui.
Invisível é um romance arrojado e envolvente, no qual Auster joga os seus familiares jogos ficcionais com uma nova graça.
Pode ler a crítica do Daily Mail, publicada no dia 6 de Novembro, a Invisível, de Paul Auster, aqui.
Pode ler a crítica da New Statesman, publicada no dia 5 de Novembro, a Invisível, de Paul Auster, aqui.
Paul Auster retoma a pulsação perdida nos dois últimos romances.
Adam Walker está prestes a morrer, mas antes tem de acertar contas com o passado. A tarefa não é fácil. Quarenta anos antes, quando aos vinte era um jovem estudante de Literatura na Columbia University,
Paul Auster assina em Invisível o regresso à sua melhor forma literária.
Provavelmente o melhor romance de Paul Auster da presente década, Invisível é também uma das obras mais arrojadas e complexas da bibliografia deste autor, de regresso ao melhor nível.
A desilusão que se apoderou dos devotos de Auster com os seus romances mais recentes – excessivamente políticos para ocultar o vazio narrativo, estratégia usada por vários escritores, até prémios Nobel… – é rapidamente esquecida quando nos deparamos com a envolvência que caracteriza Invisível.
O autor de Viagens no Scriptorium não se desvia das suas obsessões de sempre nem sequer do carácter fortemente biográfico do que escreve. O que distingue, então, o novo livro dos mais recentes é sobretudo o mérito de Auster centrar-se no seu talento inato de bom contador de histórias, entretecendo narrativas sucessivas sem com isso perder o fio à meada e relegando para segundo plano as pretensões políticas.
A protagonizar Invisível encontra-se James Walker, um estudante universitário cuja vida tal como conhecia até então sofre uma interrupção quando conhece um enigmático casal. Ao longo das menos de 250 páginas, há ainda incestos, traições, mortes, volte-faces inesperados, sem esquecer as habitualmente profícuas reflexões austerianas sobre a natureza da arte e a relação desta com a vida.
Dividida em quatro capítulos e narrado por três vozes, Invisível representa a maturidade plena de um autor cativante.
Crítica de Sérgio Almeida, a Invisível, de Paul Auster, publicada ontem no Jornal de Notícias.
Estilhaçar os alicerces da ficção para depois procurar combinações improváveis entre os destroços tem sido, com alguns desvios, o programa literário de Paul Auster, e nem sempre com melhores resultados. Em Invisível, a ânsia de exibir malabarismos narrativos é refreada por uma maior atenção ao detalhe, à coerência das personagens e da estrutura e ao ritmo, e a leitura fica a ganhar.
Em 1967, um estudante universitário chamado Adam conhece um professor de origem francesa e a sua mulher, envolvendo-se num estranho triângulo, perturbado pela violência que o professor disfarça sob a capa de um quotidiano banal. A narrativa muda, quatro décadas depois, para a voz de Jim Freeman, um conhecido escritor que privou com Adam na juventude e a quem confia o manuscrito de um livro que está a tentar escrever enquanto a doença não o vence. Esse manuscrito dará continuidade à narrativa de Adam sobre a sua relação com o professor e a mulher, revelando a investigação que sustenta Adam e o próprio romance de Auster: o modo como a violência e os ímpetos mais animalescos se escondem nas aparências do quotidiano e o modo como a ficção os pode revelar ou ocultar, criando um labirinto de causas e consequências, mas igualmente um espaço de dúvida. A mesma dúvida que se insinua perante os romances de Auster quando se detecta neles a repetição de uma fórmula, agora melhorada pela atenção ao estilo.
Crítica de Sara Figueiredo Costa, a Invisível, de Paul Auster, publicada na Time Out Lisboa, no dia 4 de Novembro de 2009.
Chama-se Invisívele é o mais recente livro de Paul Auster.
Uma história de perda de identidade povoada de violência e sexo.
É Auster, mas não no seu melhor.
Não está aqui em causa o engenho e a arte para contar histórias. Nesta matéria Paul Auster tem provas mais que dadas. Basta pensar em obras como O Livro das Ilusões, Leviathan ou A Trilogia de Nova Iorque. Disso ele sabe como poucos, sobretudo na perícia em que transforma cada história num enigma só desvendado e quase sempre surpreendente no final. Talvez tenha sido essa capacidade a fazer dele não apenas um escritor de culto, mas um nome que se tornou num dos mais conceituados das letras norte-americanas. Ao 15.º romance não é diferente. Continuamos a ter um livro onde Auster não é capaz de despir o seu papel. Ou seja, em cada um dos seus romances podemos encontrar sempre pontos de encontro entre autor e obra, e o mesmo será dizer que Auster está permanentemente a escrever auto-retratos, mais ou menos distorcidos.
Invisível parece mais ou menos convencional. No entanto essa conclusão pode estar errada. O que Auster faz constantemente ao longo deste brilhante e provocante romance é questionar o que é facto e o que é ficção, o que é real e o que é inventado, o que é verificável e o que deve permanecer misterioso.
Quem ou o quê é invisível? A resposta fácil é Paul Auster, que, quando temos a oportunidade de parar para pensar, está em todo e em nenhum lado, o mais elusivo autor imaginável.
Pode ler a crítica do The Herald a Invisível, de Paul Auster, aqui.