A propósito da morte de John Updike, O The Washington Times publica hoje o que eles consideram o top 5 dos alter egos literários, numa lista que inclui o escritor Paul Auster.
Quem Quer Ser Bilionário?recebeu, no domingo, o Prémio para o Melhor Desempenho de um Elenco nos troféus anuais do Sindicato dos Actores Americanos (SAG), depois de no sábado ter vencido o Prémio para o Melhor Filme, atribuído pelo Sindicato dos Produtores Americanos (SAP).
Apesar de não contar com nenhuma vedeta no seu elenco, este filme, realizado por Danny Boyle e adaptado do romance homónimo de Vikas Swaruppublicado pela ASA, recebeu aquele que é considerado o mais importante e prestigiado galardão do SAG.
Estes dois prémios são, geralmente, um bom ponto de referência para prever o vencedor do Óscar para o Melhor Filme.
Quem Quer Ser Bilionário? foi recentemente nomeado para dez Óscares (entre eles o de Melhor Filme e Melhor Realizador), tendo vencido também quatro Globos de Ouro, incluindo o de Melhor Filme e Melhor Realizador.
A cerimónia de entrega dos Óscares decorre dia 22 de Fevereiro.
O filme Quem Quer Ser Bilionário? recebeu dez nomeações para os Óscares, enquanto que O Leitor foi nomeado para cinco Óscares, anunciou hoje Sid Ganis, presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, acompanhado pelo actor Forest Whitaker.
Quem Quer Ser Bilionário?, baseado na obra homónima de Vikas Swarup publicada pela ASA, foi nomeado para Melhor Filme, Melhor Realizador (Danny Boyle), Melhor Argumento Adaptado (David Hare), Melhor Montagem (Chris Dickens), Melhor Fotografia (Anthony Dod Mantle), Melhor Banda Sonora Original (A. R. Rahman), Melhor Música Original (“Jai Ho” e “O Saya”), Melhor Som (Tom Sayers) e Melhores Efeitos Sonoros (Iann Tapp, Richard Pryke e Resul Pookutty).
O Leitor, baseado no romance homónimo de Bernhard Schlink e também publicado pela ASA, foi nomeado para Melhor Filme, Melhor Realizador (Stephen Daldry), Melhor Actriz (Kate Winslet), Melhor Argumento Adaptado (Simon Beaufoy) e Melhor Fotografia (Chris Menges e Roger Deakins).
A cerimónia de entrega dos Óscares decorre dia 22 de Fevereiro.
Em declarações ao jornal espanhol El Mundo, publicadas ontem, Paul Auster assegura que a obamamania afecta 80% dos Americanos, entre eles o próprio escritor, devido ao entusiasmo que gerou na mudança do governo.
“Há quarenta anos que existe uma divisão entre conservadores e liberais. É uma guerra cultural”, afirma o romancista, acrescentando que se “confrontam por tudo: a concepção do Estado, a pena capital, Deus, o aborto e a cultura.” Segundo ele, a ideia para Homem na Escuridão surgiu “quando George W. Bush roubou a presidência a Al Gore”.
Paul Auster espera que a primeira medida de Barack Obama seja a proibição da tortura “e, é claro, a reactivação da economia do país e das suas infra-estruturas”. “Para provarem que o Estado não serve para nada, os conservadores optaram por colocar incompetentes em postos-chave. O melhor exemplo disso foi o furacão Katrina”, sublinhou.
Sobre os membros da nova administração, o escritor preferiu não fazer juízos de valor enquanto o governo não estiver constituído, ressalvando que “Obama pode dar-se ao luxo de trabalhar com pessoas de quadrantes políticos opostos porque pretende dirigir de perto a sua equipa e tem uma ideia concreta do que quer”.
Para Paul Auster, “Obama não é um homem providencial mas a pessoa que precisamos para não nos afundarmos numa entropia e pessimismo totais.” O romancista não deixou de manifestar a sua alegria pelo facto de o novo Presidente dos Estados Unidos ser um escritor “e, ainda por cima, um bom escritor”, acrescentando que comprou a sua autobiografia.
Caso seja assinante do El Mundo, pode ler todo o artigo aqui.
Aproveitando a publicação da edição francesa de Homem na Escuridão (Seul dans le noir) a 7 de Janeiro de 2009, foi posto também à venda o DVD Paul Auster Confidential, produzido pelo ARTE na mesma semana. Trata-se de um documentário de Guy Seligmann e Gérard de Cortanze, com uma duração de 134 minutos. Tendo tido um acesso único a Paul Auster, o documentário acompanha Paul Auster por Nova Iorque e pelos seus lugares fetiche, com Paul Auster a falar sobre a sua infância, o pai, a sua obra, o baseball e os momentos mais importantes da sua vida.
Pode assistir a um extracto de Paul Auster Confidential aqui.
A história vem contada ontem no Le Monde, numa entrevista com Paul Auster a propósito da edição francesa de Homem na Escuridão (Seul dans le noir).
L'histoire est la suivante : dans sa jeunesse, Paul Auster ne jurait que par le base-ball. A 8 ans, il suivait les exploits de l'équipe des Giants de New York “avec la dévotion d'un vrai croyant”. Parmi ces hommes coiffés de noir et d'orange, il y en avait un surtout qui était son héros. C'était le grand, l'insurpassable, “l'incandescent”Willie Mays...
Or voilà qu'un jour le jeune Auster est invité à un match de Ligue majeure. Les Giants de New York affrontent les Milwaukee Brewers. Après la rencontre, Auster reconnaît Willie Mays, prend son courage à deux mains, demande un autographe, mais... il n'a pas de crayon, et personne autour de lui ne peut lui en prêter. Mays s'excuse : “Pas de crayon, pas d'autographe”, dit-il avec bon sens. Puis il quitte le stade et “disparaît” dans la nuit...
Ce soir-là, le jeune Auster a eu du mal à sécher ses larmes, mais depuis lors, il a toujours eu sur lui de quoi écrire. Et puis, dit-il, “si les années m'ont appris une chose, c'est ceci : du moment qu'on a un crayon dans la poche, il y a de fortes chances pour qu'un jour ou l'autre on soit tenté de s'en servir”.
O videocplipe de Disarm, dos Smashing Pumpkins, foi inspirado em Mr. Vertigo. O videoclipe passou pela primeira vez na MTV em 1993 e foi nomeado em duas categorias para os MTV Music Video Awards, as primeiras nomeações dos Smashing Pumpkins para os prémios da MTV.
“Romance fundamental de um dos melhores e mais premiados escritores norte-americanos contemporâneos… Uma radiografia policromática da vida americana dos anos 20, feita de histórias dentro de histórias, a que não falta aventura, risco e humor e, claro, uma escrita que faz voar o leitor pelas dimensões mágicas da boa literatura, impulsionado por diálogos em que a fantasia e a realidade, o mítico e o quotidiano, se tornam, pela extraordinária narrativa de Paul Auster, indissociáveis e coniventes.”
“…Auster aproveita para percorrer momentos fundamentais da História americana, questionar a ascendência e a decadência de mitos e ‘estrelas’ e para explorar, de forma simples e directa, as trocas culturais que estão na base dos EUA. Um equilíbrio entre consciência e fantástico que o autor sabe dominar sempre nos limites.”
“Tecido como um volume de memórias contadas pelo próprio herói no fim da sua vida, é um livro imperdível, provavelmente um dos mais belos e mágicos que Auster escreveu.”
“Mais um desconcertante e brilhante romance de Paul Auster conhece tradução portuguesa. Mr. Vertigo conta a história de um rapaz que aprendeu a voar, metáfora perfeita para um país onde o sonho comanda a vida.”
Isso é um grande mistério para mim. Não sei de onde surgiu. Durante anos carreguei comigo uma história nunca muito bem definida sobre um mestre e o seu discípulo, e que nem era verdadeiramente uma história mas uma situação. Quando me sentei a escrevê-la, pensei que ela teria cerca de vinte páginas. Pelos vistos, estava enganado.
Disse uma vez a um entrevistador: “emoções muito fortes, até mesmo traumas, geram as minhas histórias.” Foi o caso de Mr. Vertigo?
Mais uma vez, cada livro que escrevo é como um enigma para mim. Nunca sei o que estou a fazer ou por que o faço. Há apenas a compulsão para o fazer, a necessidade imperiosa de passar a história ao papel. Às vezes, mais tarde, depois de o livro estar escrito, tenho vislumbres que me levam a compreender a sua origem, pequenas pistas. Com Mr. Vertigo, penso que teve a ver com a ideia de cair de lugares altos. Digo isto da mesma forma que um antropologista o diria, baseado unicamente na observação e no que vejo com os meus próprios olhos. Consigo lembrar-me de vários livros que escrevi em que as pessoas caem. No País das Últimas Coisas, Anne Blume atira-se de uma janela no último andar de um prédio de modo a salvar--se; ela não morre, mas isso altera o curso da sua vida. Em Palácio da Lua, o pai obeso de Fogg cai para dentro de uma sepultura aberta e parte a coluna. Em Leviathan, gira tudo à volta de um homem a cair de umas escadas de emergência. Penso que tudo isto (mas como é que eu posso verdadeiramente saber?) pode estar relacionado com algo que aconteceu ao meu pai quando eu era criança. Ele estava a trabalhar num telhado, escorregou e caiu. Se não fosse um estendal a aparar a queda ele teria provavelmente morrido. Apesar de não ter presenciado isso, carreguei essa imagem na minha mente durante toda a infância: o meu pai a voar. Talvez seja essa a fonte, o que está no cerne da minha estranha obsessão.
Uma das coisas de que mais gosto no livro é a combinação do espiritual com o mundano. Ambos estão presentes no personagem do Mestre Yehudi: às vezes ele soa como um sacerdote zen e outras vezes como um bufarinheiro.
Ele é um personagem bastante complexo. Por um lado, é um vigarista, um charlatão, apenas interessado em fazer rios de dinheiro – tal como toda a gente na América. Por outro lado, ele tem uma faceta profundamente espiritual. Está interessado nas verdades espirituais. Ao desafiar as leis da Natureza, como se propõe a fazer com Walt, ele coloca-se numa situação bastante difícil perante Deus, o Universo e o Homem. E o Mestre Yehudi reflecte muito sobre estas coisas. Leva-as muito a sério.
Paul Auster recebeu ontem, em França, a Medalha de Honra da cidade de Lyon. A cerimónia teve lugar na Câmara Municipal de Lyon, e a condecoração foi-lhe entregue por Georges Képénékian, vereador da Cultura e do Património.
Em breves declarações ao Le Progrès, o escritor norte-americano afirmou que nem no seu próprio país um escritor receberia um galardão daquele género. Paul Auster referiu também que nos seus livros não fala da América mas dos "estados de alma dos cidadãos norte-americanos".
Paul Auster encontra-se actualmente em França, onde está a promover o seu mais recente romance Homem na Escuridão(Seul dans le noir).
Tinha doze anos quando caminhei sobre as águas pela primeira vez. Foi o homem de preto quem me ensinou a fazer isso e não vou pôr-me para aqui com histórias e dizer que aprendi o truque da noite para o dia. Quando Mestre Yehudi me descobriu eu tinha nove anos e era um dos muitos miúdos órfãos que mendigavam nas ruas de Saint Louis, e só ao fim de três anos de um treino incessante é que ele me deixou mostrar as minhas habilidades em público. Isso aconteceu em 1927, o ano de Babe Ruth e Charles Lindbergh, esse mesmo ano em que a noite começou a cair sobre o mundo para todo o sempre. Continuei a trabalhar até poucos dias antes do crash de Outubro e devo dizer que aquilo que fiz nesses poucos anos foi maior do que tudo o que aqueles dois cavalheiros possam ter sonhado. Eu fiz o que nenhum americano tinha feito antes de mim, o que ninguém fez desde então.
Mestre Yeahudi escolheu-me porque eu era a mais pequena, a mais imunda, a mais abjecta de todas as criaturas. “Não vales mais do que um animal”, disse-me ele, “não passas de um pedaço de nada humano”. Essa foi a primeira frase que ele me disse, e, apesar de terem passado sessenta e oito anos desde essa noite, é como se estivesse a ouvir ainda as palavras da boca do mestre. “Não vales mais do que um animal. Se continuares assim, não chegarás vivo ao fim do Inverno. Se vieres comigo, ensinar-te-ei a voar.”
“Tinha doze anos quando caminhei sobre as águas pela primeira vez.” Começa assim a história de Walter Claireborne Rawley, conhecido em toda a América como o Rapaz Prodígio. Estamos no final dos anos 20, a era de Babe Ruth, Charles Lindbergh e Al Capone. Walter é um órfão resgatado das ruas pelo misterioso Mestre Yehudi, que o alicia com a promessa de o ensinar a voar. Um desafio às leis da natureza que os coloca numa situação peculiar perante o Homem, Deus e o Universo. Unidos por tão bizarra combinação de espiritualidade e mundanismo, mestre e discípulo percorrerão uma vasta e vibrante América, onde se cruzam com pecadores, ladrões e vilões, desde o Ku Klux Klan do Kansas até à máfia de Chicago. A ascensão de Walt à fama e à fortuna espelha, em última instância, a passagem da América à maioridade; a capacidade de adaptação e resistência de ambos é constantemente posta à prova, numa história que pode ser a de cada um de nós.
Num romance que contempla com naturalidade o lado mágico e improvável da vida, é-nos revelado um segredo: voar, afinal, é fácil.
Além disso, Homem na Escuridão foi considerado por Vítor Quelhas, crítico literário do Expresso, como um dos dez melhores livros de 2008 e pela revista Os Meus Livros como um dos melhores romances do ano.