Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

"UM DOS MELHORES ROMANCES NORTE-AMERICANOS DOS ÚLTIMOS ANOS" – A CRÍTICA DO EXPRESSO A ELEGIA PARA UM AMERICANO

Siri Hustvedt, romancista, ensaísta e poeta norte-americana, tem todos os seus romances traduzidos em Portugal, o último dos quais Elegia para um Americano. A crítica internacional não lhe poupou elogios, e com razão: trata-se de um grande romance, em que a autora, de ascendência norueguesa, traça o retrato perturbador de uma família que, como todas as famílias, tem as suas histórias, segredos, mentiras e fantasmas, reveladores, para o discurso psicanalítico, do material recalcado e inconsciente que povoa a psique humana. Nesta medida, a psicanálise muito deve à arte em geral e à literatura em particular. Que o digam Freud e Lacan. E, claro, Siri Hustvedt. Aqui, em território meio ficcional, meio biográfico, a escrita é sensual, delicada e comovente, como se a autora, através do narrador, (Eric), ao dissecar os seus afectos, estivesse a reaprender uma língua esquecida pela racionalidade, mas profundamente enraizada nas cenas primordiais da infância, na relação com as figuras parentais e na complexidade emocional da experiência familiar. Personagens: um pai (Lars, que morre e deixa um diário, cartas, documentos); Eric e Inga (ele, psiquiatra, ela viúva de Max, são os filhos que arrumam o passado do pai e descobrem o seu amor por uma mulher desconhecida); Sonia (a filha de Inga, marcada pela memória do 11 de Setembro); e Miranda (a vizinha por quem Eric se apaixona). Traços comuns: a solidão intersticial dos nova-iorquinos, o aprisionamento numa teia feita de memórias, de fragmentos e de pequenas revelações e a busca pela identidade perdida. Tudo isto, aliás, constelado nos romances de Hustvedt De Olhos Vendados (o erótico voyeurismo e os difíceis cambiantes da identidade). Fantasias de uma Mulher (iniciação ao desejo e à vida adulta de uma jovem) e Aquilo que Eu Amava (o lado negro dos laços familiares e do amor). Mas, em Elegia para um Americano, todas estas temáticas, a que estão frequentemente associados o desejo, a morte e o luto, Eros e Tanatos, são revisitadas numa deliciosa sinfonia de redenção.

 

Crítica de Vítor Quelhas a Elegia para um Americano, de Siri Hustvedt, publicada no Expresso, no sábado.


publicado por Miguel Seara às 12:19
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