Terça-feira, 10 de Novembro de 2009

"O LIVRO DA DESILUSÃO" – A CRÍTICA DO WEEKEND ECONÓMICO A INVISÍVEL

 

 

 

Chama-se Invisívele é o mais recente livro de Paul Auster.

Uma história de perda de identidade povoada de violência e sexo.

É Auster, mas não no seu melhor.

 

Não está aqui em causa o engenho e a arte para contar histórias. Nesta matéria Paul Auster tem provas mais que dadas. Basta pensar em obras como O Livro das Ilusões, Leviathan ou A Trilogia de Nova Iorque. Disso ele sabe como poucos, sobretudo na perícia em que transforma cada história num enigma só desvendado e quase sempre surpreendente no final. Talvez tenha sido essa capacidade a fazer dele não apenas um escritor de culto, mas um nome que se tornou num dos mais conceituados das letras norte-americanas. Ao 15.º romance não é diferente. Continuamos a ter um livro onde Auster não é capaz de despir o seu papel. Ou seja, em cada um dos seus romances podemos encontrar sempre pontos de encontro entre autor e obra, e o mesmo será dizer que Auster está permanentemente a escrever auto-retratos, mais ou menos distorcidos.

 

Invisível, traduzido à letra do inglês e agora publicado pela ASA, não foge à regra. Depois de se ter feito autobiografar através de múltiplas figuras literárias, aquele que é considerado um dos escritores de Nova Iorque volta a camuflar-se. Desta vez no papel de um jovem poeta ambicioso, Adam Walker, estudante da Universidade de Columbia, uma universidade que Auster tão bem conhece.

 

De uma maneira muito sintética poder-se-ia dizer que esta narrativa é a da perda da inocência de Adam. A acção decorre entre 1967 e 2007. Isto é, desde o momento em que Adam Walker conhece Rudolf e Margot, um casal tudo menos convencional. Com ele, passam a constituir um triângulo amoroso onde Auster aproveita para escrever algumas páginas mais quentes da sua literatura, já de si muito contaminada pela sexualidade. Neste caso, essa sexualidade é vivida por Adam como um tormento. Mais um a acrescentar à violência que Auster coloca em Invisível, logo como ponto de partida para uma acção contada por três narradores numa espiral que parece rodopiar sempre à volta de um enigma que se quer revelar e que no fim é revelado da forma mais surpreendente. Um desenlace que, no entanto, não deixa de parecer forçado, depois de uma leitura gratuitamente dificultada pelo modo como Auster construiu a narrativa, dividindo-a em quatro partes que se cruzam numa complexidade apenas aparente. Este livro é uma boa ideia de Auster, sem dúvida. Uma boa ideia que não foi capaz de concretizar num final ao mesmo nível. É que quando se fala de Paul Auster, a fasquia está elevada e exige-se brilhantismo. Faltou qualquer coisa para que este Invisível chegasse lá.

 

Crítica de Isabel Lucas, a Invisível, de Paul Auster, publicada no Weekend Económico, no dia 31 de Outubro.

 


publicado por Miguel Seara às 10:09
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