
Em declarações ao jornal espanhol El Mundo, publicadas ontem, Paul Auster assegura que a obamamania afecta 80% dos Americanos, entre eles o próprio escritor, devido ao entusiasmo que gerou na mudança do governo.
“Há quarenta anos que existe uma divisão entre conservadores e liberais. É uma guerra cultural”, afirma o romancista, acrescentando que se “confrontam por tudo: a concepção do Estado, a pena capital, Deus, o aborto e a cultura.” Segundo ele, a ideia para Homem na Escuridão surgiu “quando George W. Bush roubou a presidência a Al Gore”.
Paul Auster espera que a primeira medida de Barack Obama seja a proibição da tortura “e, é claro, a reactivação da economia do país e das suas infra-estruturas”. “Para provarem que o Estado não serve para nada, os conservadores optaram por colocar incompetentes em postos-chave. O melhor exemplo disso foi o furacão Katrina”, sublinhou.
Sobre os membros da nova administração, o escritor preferiu não fazer juízos de valor enquanto o governo não estiver constituído, ressalvando que “Obama pode dar-se ao luxo de trabalhar com pessoas de quadrantes políticos opostos porque pretende dirigir de perto a sua equipa e tem uma ideia concreta do que quer”.
Para Paul Auster, “Obama não é um homem providencial mas a pessoa que precisamos para não nos afundarmos numa entropia e pessimismo totais.” O romancista não deixou de manifestar a sua alegria pelo facto de o novo Presidente dos Estados Unidos ser um escritor “e, ainda por cima, um bom escritor”, acrescentando que comprou a sua autobiografia.
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