A estrela da literatura norte-americana actual tem um novo romance, o décimo quinto da sua colheita. E tem o carimbo de fábrica: escritores, encontros casuais e sondagens sobre a identidade.
Pode ler a entrevista de Paul Auster ao Crítica de la Argentina sobre Invisível aqui.
Não li a crítica [de James Wood a Invisível na The New Yorker]. Não leio nenhuma desde há quatro ou cinco anos, apesar de saber do que se trata. Sei que me ataca. Não tenho nada de pessoal contra ele, mas é sempre assim. Muitos amigos perguntam-me qual é o problema. É um reaccionário. Não quero preocupar-me com isso. Siri, a minha mulher, chamou-me para me contar isso. Disse que que era como se fosses na rua e um desconhecido te desse um murro na cara.
Pode ler a entrevista de Paul Auster ao Informador sobre Invisível aqui.
Gosto de escrever sobre coisas que conheço e que andam a rondar a minha cabeça durante anos. Tentas contar a verdade sobre a tua personagem e o mundo tal como o conheces, mas, no final, a arte é um jogo, e, por isso, é divertido, mas temos de a encarar muito a sério.
Pode ler a entrevista de Paul Auster ao El País sobre Invisível aqui.
O norte-americano constrói labirintos com uma pena fluida e enigmática. Neste, há também densidade e rumorejar trágico que transportam o leitor para um outro patamar – de que emergem esmagados. A narrativa estende-se por 40 anos, espelhados nas quatro estações: a vida de um adulto,
Crítica de Sílvia Souto Cunha a Invisível, de Paul Auster, publicada no especial livros de Natal, na quinta-feira, na Visão.
A crítica não se cansa de elogiá-lo. Passado o hype Paul Auster, o escritor nova-iorquino parece ter agora outra disponibilidade para a escrita propriamente dita – e os romances que desta fase vão saindo trazem a lume um romancista sólido e maduro, determinado a pisar caminhos que enunciou nos primeiros romances, mas ao mesmo tempo mais sábio e mais ponderado na sopesagem dos recursos pop e da sua medida certa. “Sinuosamente construído em quatro partes entrecruzadas, o décimo quinto romance de Paul Auster começa
Crítica de Joel Neto a Invisível, de Paul Auster, publicada no dia 6 de Dezembro no jornal O Jogo.
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Paul Auster põe de novo em marcha as suas complexas estruturas novelísticas e a sua prosa límpida numa obra que aparentemente tem uma menor carga de metaficção que anteriores. E no coração da intriga está a ideia da dissolução, da invisibilidade a que aspira todo o criador e a escrita como tábua de salvação. Um Auster estupendo e, aqui é que está a notícia, nada repetitivo…
Pode ler a crítica do El Periódico de Aragón, publicada hoje, a Invisível, de Paul Auster, aqui.
Quando um escritor tem milhares de fiéis seguidores é normal que estes vão esperando mais e mais de cada novo livro – mesmo que inconscientemente – e o comparem com os anteriores. E quando se trata de um décimo quinto romance (fora as outras “escritas” de Paul Auster), a fasquia está alta, talvez demasiado alta para se conseguir ser objectivo.
Embora Invisível esteja construído de forma inteligente, parece ficar aquém de títulos como A Música do Acaso, O País das Últimas Coisas, Inventar a Solidão ou Mr. Vertigo, mais imaginativos, porém mais sólidos. Mas passemos à história, uma espécie de thriller austeriano… O protagonista, Adam Walker, envolve-se com um casal pouco convencional que acaba de conhecer e repentinamente vê-se como testemunha de um acontecimento que o iria marcar até ao fim dos seus dias. Isto porque, embora a acção comece em 1967, três narradores cujos relatos se entrecruzam conduzem-nos, através de vários pontos do globo, até 2007, mostrando-nos uma realidade violenta, tabu, sexualmente provocatória, compartimentada e… irreal? Como podemos perceber o que realmente aconteceu ou o que é ficção dentro da ficção de Auster? Será que o próprio escritor quer que saibamos?
Crítica de Teresa d’Ornellas a Invisível, de Paul Auster, publicada na edição de Dezembro da revista Os Meus Livros.
Nos romances de Paul Auster, as histórias são como caixas chinesas ou matrioscas russas que não apenas se encaixam sucessivamente como nascem umas das outras, multiplicando-se. Elas são mistérios, enigmas, desafios sempre inquietos, à procura de alguma solução em aberto. Diz quem o conhece que Auster frui e percepciona a vida com deleite e com uma pitada de distanciamento nas narinas, sempre a farejar o (im)previsível movimento das pessoas e das coisas. E que depois escreve. Os seus livros, artigos, críticas e até argumentos para o cinema são de uma (quase) absoluta precisão: cirúrgicos, inteligentes, pertinentes, quase oculares. As suas ficções constituem um misto de realismo e fantasia, teia de coincidências, ordem secreta do acaso e evocação biográfica respigada de memória (ingredientes para uma boa história), com fugidio aroma a Cortázar e a Beckett. Obra de referência da literatura pós-moderna, a sua Trilogia de Nova Iorque é, nesta medida, exemplar. Também este seu 15.º romance, um dos seus melhores, não escapa a este jogo de espelhos, ao caleidoscópio existencial e sensorial de Auster, em que o destino é uma espécie de partitura que cada um vai escrevendo e interpretando. Trata-se, pois, de uma narrativa de percurso intencionalmente serpenteante, com quatro partes entrecruzadas, que tem como ponto de partida Nova Iorque, na Primavera de 1967 – ano de crescente oposição à guerra do Vietname, de rescaldo do assassínio de Kennedy e do melhor rock psicadélico. Durante uma festa, Adam Walker, de 20 anos, um tímido aspirante a poeta, conhece o professor Rudolf Born, charmoso, manipulador, temível, e a sua enigmática e sedutora companheira, Margot, um casal francês pouco convencional. Deste encontro emerge um triângulo amoroso que viajará pelas fronteiras circulares, e quantas vezes crepusculares, do tempo, do sexo, da verdade e da identidade. E , claro, do sofrimento e da morte. Uma never ending story ao melhor estilo de Paul Auster, em que cada história tem sempre uma porta que se abre para outra história.
Crítica de Vítor Quelhas a Invisível, de Paul Auster, publicada no sábado, no suplemento Actual, do Expresso.
Invisível, de Paul Auster, foi considerado pelo The New York Times como um dos 100 melhores livros de 2009. Pode consultar a lista completa aqui e recordar a crítica do NYT, em que considera Invisível como o "melhor romance jamais escrito por Paul Auster", aqui.